Gessle fala com exclusividade ao TDR!


Gessle deu uma longa entrevista ao TDR antes do segundo show em Melbourne falando sobre turnê, Travelling e adiantando muito do que está por vir. Confere aqui o que de mais importante rolou:

TDR: Vamos falar sobre  o Travelling. Nós tivemos Tourism 2, 2rism, T2 e agora Travelling. Como você decidiu o título?
PG: Minha ideia era de chamar de Tourism 2 já que fazia sentido pois toda a ideia do álbum foi praticamente igual a do Tourism, tipo uma sequência, mas na verdade foi a nossa gravadora que não gostou da ideia pois acharam que as pessoas ficariam confusas; mas eu não concordo muito. Então a gente sugeriu "T2" mas aí eles disseram não porque um título com números não era uma boa ideia. Então eu perguntei: Mas e o "21" da Adele? E essa eles não responderam (risadas). No final Marie e eu tivemos algumas ideias e eu surgi com o "Travelling" porque é como estamos agora, viajando. Mas vamos ficar com o mesmo subtítulo "songs from studios, stages, hotel rooms and other strange places". Por algum motivo as pessoas acham isso complicado.

TDR: Ok, então eu acho que você não vai falar muito do álbum mas o que pode me dizer sobre a estrutura dele, quantas músicas e tal?
PG: Tem várias músicas novas, mais do que imaginávamos. Nós revelamos alguns títulos outro dias mas eu posso revelar mais alguns. Por exemplo, há uma versão de "Perfect Excuse", de Party Crasher, cantada pela Marie, que ficou muito legal, e colocamos lá basicamente porque eu sempre quis ouvi-la cantando essa música, porque é linda. No meu álbum sou eu cantando os versos e Helena fazendo o refrão e essa é só Marie e Helena. É bem lenta e muito diferente da original.

TDR: Então você não canta nessa música?
PG: Não, eu só supervisiono (risadas)... então essa é uma, e também há uma balada que eu escrevi pro Have A Nice Day, chamada "Turn of the Tide"... existe uma demo em algum lugar e é provavelmente o melhor vocal da Marie desde "My world, my love, my life". Então essa é uma grande balada mas é uma canção antiga que não usamos porque tínhamos "Anyone" e "Salvation".

TDR: Eu suponho que "Excuse me sir, do you want me to check on your wife" seja muito parecida com "I never quite got over the fact that The Beatles broke up" onde o nome não faz parte da música. Estou certo?
PG: Não. Não. "Excuse me sir" é uma daquelas músicas que parece com Tom Petty and The Heartbreakers. É cantada por mim, exceto o título que é cantado pela Marie. É uma das minhas favoritas.

TDR: Agora chegou a parte que você revela o nome do single...
PG: Ha ha ha! Não sei se posso. Que dia que sai? Hahaha!

TDR: Vamos tentar de outro modo: dos títulos que revelamos no outro dia, o single está dentre elas?
PG: Talvez! Mas posso revelar outra coisa: há uma chamada "It's possible" e tem 2 versões dela no álbum, totalmente diferentes. A primeira é tipo "She's got nothing on", guitarras parecidas... mas música é delicada, então decidimos fazer uma versão mais cool. Não sei se conhece Gyllene Tider...
TDR: Claro!
PG: É tipo "Hjarta utan hem" (do Finn 5 fel). Ficou com uma vibe setentista e nós não conseguimos optar por uma das versões e ficamos com as duas. Coisa que nunca fizemos antes.

TDR: Havia um rumor de que "What's she like" estaria no álbum em uma nova versão. É verdade?
PG: Não.
TDR: Você desistiu? Por que lembro que tuitou algo falando que havia gravado uma versão dela e que não perguntasse o porquê.
PG: Hmmm, é, eu disse, mas é pra um outro projeto que eu não posso falar agora (risadas). São tantos!

TDR: Falando de vídeo e pensando na sua agenda pras próximas semanas: haverá tempo para um vídeo do single?
PG: Bem, nós temos uma ideia de reunir filmagens de diferentes situações e alguma coisa com animação, desenhos. Temos uma boa ideia mas vai depender de como ficará.

TDR: E é a Marie liderando os vocais ou você?
PG: Ambos. Tentamos fazer com que os dois cantem a maioria das músicas e se alguém não canta sou eu porque quero que a Marie cante o máximo possível, já que estou fazendo tantas outras coisas. Haha! Mas tem outra música chamada "Angel passing" que é uma balada cantada por mim. Eu canto um verso e Marie responde;  depois eu canto e ela responde.

TDR: Eu gostaria de falar sobre as músicas e o setlist. Obviamente essa banda evoluiu em termos de som desde a Party Crasher Tour mas qual foi a motivação em definir o que seria certo pra turnê do Roxette, o tipo de som que queriam, os arranjos..?
PG: Basicamente a decisão foi minha. Eu queria essa banda porque é a melhor que existe. E claro, quando Helena estava lá, era basicamene um super time mas a Dea está fazendo um ótimo trabalho e é uma pessoa sensacional para conviver; ela está conectando com todo mundo... mas claro, é difícil substituir Helena. A razão pela qual eu quis essa banda é meio centrada em mim porque eu adoro tocar com esse caras e agora há um espaço pra mim no Roxette como um guitarrista, o que não era o caso antigamente quando Jonas estava conosco e nós tentávamos reproduzir o que saía do estúdio no palco. Nunca havia espaço pra eu tocar nos álbuns, então eu não queria mais que fosse desse modo. Essa foi uma das maiores razões.

TDR: ... para ter mais envolvimento e presença de palco tocando guitarra...
PG: Absolutamente. E eu queria que o Chris tocasse guitarra e não baixo  porque ele é uma importante parte do "novo" Roxette, assim dizendo. E queríamos fazer "The Look", "Joyride", "Dangerous", "How do you do", todas essas músicas de um modo novo, do mesmo modo que fizemos na turnê do Party Crasher. Acho que, mesmo a PC tour não sendo a maior do planeta (risos), e na verdade eu não perdi dinheiro mas também não fiz muito, o que importa mesmo é a essência. Sem aquela turnê eu acho que essa não aconteceria. Tocar algumas músicas com aquela banda era como tocar com o Gyllene Tider, que é sempre uma energia.

TDR: Com relação à escolha do repertório: vocês tocam os singles e isso ocupa 70-80% dos shows mas e a outra parte? Como decidem o que vai ser tocado? Por que "Things will never.." e não "Do you get excited?" ou tocam "727" mas não "Pay the price". Me guie nesse seu processo criativo.
PG: Quando se faz uma tour desse tamanho, 150 shows, claro que queremos trocar, e como você disse, talvez 75% das músicas têm de ser as mesmas porque as pessoas vão ao show pelos hits... mas o problema que temos é que ...

Nesse momento Bo entra na sala e diz que o tempo terminou mas Per, gentilmente, pede mais cinco minutos.

PG:... o problema que temos é que é difícil pra Marie lembrar as letras. Como hoje a noite por exemplo, vamos tocar "Silver Blue",... eu espero, hahaha! Mas outro dia íamos tocar "Stars" e 3 minutos antes do show Marie disse: "Eu não lembro a letra"...

TDR: .. então voltaram a "Only when I dream" ?
PG: Isso. E é por isso que é tão difícil tocar as novas; porque ela não consegue lembrar das letras. Pra colocar uma nova canção no setlist é necessário 10 ou 15 soundchecks... foi assim que "Crash! Boom! Bang" entrou. Se decidirmos tocar "Real sugar", ... nós conversamos sobre tocar talvez...

TDR: Bem, em condições normais, o que você gostaria de tocar?
PG: "Paint"! E nós conversamos sobre "Run to you". Eu adoraria tocar "Milk and toast and honey" mas não é muito fácil chegar no soundcheck e resolver tocar na mesma noite. E, claro, tem 2 ou 3 músicas do novo álbum que vamos adicionar ao longo da turnê.

Neste momento Per revela que Stars estará no álbum e foi gravado num soundcheck em Dubai.

Sobre a remarcação do show de Auckland, Per diz que estão tentando mas que está muito difícil de acontecer. Diz que querem muito voltar. Se não agora, numa próxima vez. Assim o repórter pergunta:

TDR: Então definitivamente Marie vai continuar fazendo turnês?
PG: Certamente.

TDR: Mesmo?
PG: Sim. Nós conversamos esses dias sobre o Leonard Cohen que fez 240 shows desde 2008 e nós estamos com 85 hoje. Parece que estamos indo pra América, Canadá e México em agosto e setembro. Provavelmente a turnê terminará na cidade do México. Mas já conversamos sobre não parar após esse show. Não precisamos levar 3 anos pra um próximo trabalho juntos. Podemos fazer algo ano que vem ou alguns festivais no verão.

TDR: As outras turnês levaram nomes como "Join the Joyride" ou "Room Service Tour" mas essa não tem um nome. Praticamente foi chamada de "Charm School World Tour" mas é um nome não oficial...
PG: É, é mais como "World Tour".

TDR: Tem algum motivo pra não ser chamada de "Charm School World Tour"?
PG: Sim, porque seis meses atrás iria haver um novo álbum (Travelling) e penso que esse título ficaria antigo; assim pareceu bobo chamar de Charm School se em um mês Charm School será história.

TDR: Temos pouco tempo mas quero fazer uma pergunta que todos os fãs desejam saber: considerando que vem tocando os hits, tem um que você sempre deixa de lado e que foi um grande hit. "Almost unreal". E sei que não gosta muito dessa música.
PG: Não, bem, eu era quem gostava muito dessa música. O Clarence que sempre odiou.

TDR: Por quê?
PG: Não sei. Ele sempre achou que era o mesmo tipo de "Fading like a flower".

TDR: Agora...um DVD seria gravado na Espanha e foi adiado. O que pode me dizer sobre?
PG: Nós vamos gravar na América do Sul e também gravaremos um documentário de 90 minutos.

TDR: Separado ou no mesmo disco?
PG: Separado. É uma gravação ao vivo e um documentário.

TDR: E finalmente, antes de você ir, o que pode me dizer sobre a trilha sonora de "Small Apartments"? Ouvi dizer que tem algumas coisas do SOAP.
PG: Tem coisas novas e antigas. Não só do SOAP mas também do Mazarin, mas estamos falando de música instrumental pois é um filme. Veja, no filme, digamos que o Jonas Akerlund vai usar 45 segundos de "I have a party in my head" mas na trilha sonora temos uma versão completa dela, mas instrumental. Então nós regravamos todas essas canções. Há coisa nova e também um cover de ... eu não devo dizer isso.. mas é um álbum legal. Acho que o filme sai em março.

Deste modo terminou a entrevista com previsão de 10 minutos que durou exatamente 26 minutos e 51 segundos.

** Confira aqui a entrevista em inglês na íntegra!


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